CONSTRUINDO MEMORIA ENQUANTO ESTUDANTE DE PEC-G NO BRASIL - Nº 3

MINHA CHEGADA NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS: 
"Primeiro Contato Com Nova Vida e a Nova Realidade"

Ao chegar à rodoviária de Pelotas peguei um táxi que me levou para de departamento de intercâmbio e programas internacionais (DIPI) da universidade federal de pelotas e depois de me apresentar, me levaram para um pensionato onde hospedou o Nilton, estudante Guineense selecionando no mesmo ano comigo.




No pensionato fiz amizades com alunos oriundos de diferentes cidades e estados do Brasil para fazer faculdade em pelotas e nesse período antes do começo das aulas saíamos para conhecer a vida local, vivenciando-a nos lugares de festas e locais públicos da cidade. 

Em geral Independentemente do lugar onde vier um aluno, as dificuldade são as mesmas de ordem de manutenção e de sobrevivência no que se refere à habitação, alimentação, mas por ser um africano soma-se aos preconceitos por ser um negro, fato que infelizmente é ainda muito gritante na sociedade brasileira. 

Mesmo sendo um povo muito receptivo, existe sempre uma atenção especial aos estrangeiros ou intercambistas proveniente de países mais desenvolvido principalmente do continente Europeu e da America do norte, o que influencia muito no tratamento recebido por parcela de sociedade e que ao longo do tempo a carência, falta de afeto, de atenção e de apoio acaba constituindo fatores de maior dificuldade no processo de adaptação.

Nos primeiros anos é inevitável enfrentar vários desafios e dificuldades como adaptar-se ao clima, alimentação e certos valores culturais e sociais que de certa forma ao longo do tempo foi se adequando com as minhas.

A afinidade e similaridade étnico-racial e cultural é um dos motivos pelo qual escolhi fazer a minha graduação no Brasil, mas infelizmente também fez com que varia vezes fui confundido nas ruas. Várias vezes percebi as pessoas a fugindo de mim numa calçada talvez porque sou negro ou por acharem que sou assaltante.


No meio acadêmico através das perguntas de que sou alvo, da para concluir que alguns brasileiros não têm conhecimento da historia ou geografia africana. Por outro lado existe uma contradição e desinformação muito grande a respeito da áfrica que aparece nas mídias com imagens de animais, guerras, fome, doenças. Torna até difícil fazer alguém acreditar que na áfrica existem países desenvolvidos e países pobres tanto quanto a existência de diferencia social entre ricos e pobres como em qualquer parte do mundo. Para mim isto constituiu motivo de choque e grande decepção porque é imaginável pensar que no Brasil um país com laço histórico-cultural muito forte com a áfrica tenha o desconhecimento da verdadeira realidade do continente até o ponto de enxergar a áfrica como um país.
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Romário Bispo